Cargos e Salários - Competências
Organizacionais e o Preciosismo
O efeito positivo que
existe e a importância estão inteiramente ligados ao sucesso de uma organização
o que não é inteiramente entendido por grande parte dos empregados e das
pessoas em si.
São muitas as empresas que
para implantação de um processo de Gestão de Qualidade, vêm apresentando seus
princípios, missões e visão.
O efeito positivo que
existe e a importância estão inteiramente ligados ao sucesso de uma organização
o que não é inteiramente entendido por grande parte dos empregados e das
pessoas em si. Os efeitos produzidos são visíveis, no dia-a-dia das empresas,
através de suas ações em todos os níveis o que muitas pessoas não percebem a
não ser a “ideologia” das palavras. São poucas empresas que adotaram
determinadas palavras por não entenderem a sua importância de balizadoras das
regras ou dos princípios orientadores organizacional. Vamos entender um pouco
sobre isso?
Missão
"Uma empresa não se define pelo seu nome, estatuto ou
produto que faz; ela se define pela sua missão. Somente uma definição clara da
missão é razão de existir da organização e torna possíveis, claros e realistas
os objetivos da empresa." Peter Drucker
Vamos tomar como base a
Missão de uma empresa, hipotética, X, constituída em 1990, através de um
processo participativo. Essa empresa é tradicional fabricante de máquinas e
implementos agrícolas, sediada em, digamos, no Rio de Janeiro, tem um único
sócio, e empresa líder mundial em máquinas agrícolas.
O que deve fazer a empresa?
"Desenvolver, produzir e comercializar produtos e serviços."
Para quem deve fazer? "Destinam-se à agricultura." Para quem deve
fazer? "Visa à satisfação do cliente." Como deve fazer? "Usa tecnologia
adequada e qualidade superior." Onde deve fazer? "Considerando que a
empresa X atua no Brasil e exterior, decidiu-se não ser necessário explicitar o
onde, com a preocupação de manter o texto conciso, para facilitar a assimilação
e conseqüente utilização". Qual responsabilidade social deve ter?
"Contribuir para o incremento da produtividade agrícola, respeitando o
indivíduo, a sociedade e o meio ambiente."
Visão
"Os grandes navegadores sempre sabem onde fica o
norte. Sabem aonde querem ir e o que fazer para chegar a seu destino. Com as grandes
empresas acontece a mesma coisa: elas têm visão. É isso que lhes permite
administrar a continuidade e a mudança simultaneamente." James Collins e
Jerry Porras
Segundo Richard Allen, a
visão ideal deve mostrar onde a empresa está, aonde quer chegar e que meios
serão necessários para atingir esse objetivo. Só assim ela conseguirá motivar
os funcionários, dar um rumo aos negócios e avaliar o progresso da empresa,
comparando resultados. A seguir se propõe um modelo de elaboração de visão
corporativa e se relaciona as várias perguntas que devem ser respondidas no
decorrer do processo. Enfatiza-se que redigir essa "Constituição" não
é uma tarefa apenas dos altos executivos, mas de toda a organização.
Uma conhecida canção
diz que "em um dia claro você pode enxergar o infinito". Bonito. Por
mais claro que o dia esteja, no entanto, não é possível enxergar muito longe
sem um visão nítida.
Após estabelecer e enunciar
uma visão, particularmente da organização, é preciso apropriar-se dessa visão,
acreditar nela, externá-la através do comportamento e das escolhas e pautar-se
por ela todos os dias. É preciso transformar a teoria em prática. Muitas
organizações pregam na parede um belo quadro com o enunciado de sua visão ou o
imprimem em cartões de visita. Contudo, se o processo de elaboração da visão
for apenas um capricho e/ou não for adotado por todos, tudo não passará de um
enfeite de parede ou algo para ocupar o bolso.
Princípios
"Seja flexível e,
quando não puder aceitar os termos, aceite os meios termos. Porém, não confunda
meios-termos com meios princípios. Meios princípios não existem".Ilie
Gilbert
Princípios são balizamentos
para o processo decisório e para o comportamento da empresa no cumprimento de
sua Missão.
Apesar de ser esse o termo
mais utilizado, algumas empresas usam outros títulos tais como: Credo, Valores,
Política, Filosofia, etc.
Para fundamentar a
importância de a empresa explicitar seus Princípios, transcrevemos a síntese da
pesquisa realizada por A. T. Kearney entre as empresas classificadas, desde
1990, dentre as 500 maiores pela revista Fortune, e divulgada pela publicação
Boardroom Reports, em 2010.
A pergunta formulada aos
principais executivos das empresas foi: "A que fatores você atribui o
sucesso de sua empresa ?"
A síntese das respostas de
empresas como a Coca-Cola, IBM, GE, P&G, AMBEV, Johnson & Johnson e 3M,
está abaixo.
O Segredo do sucesso das
500 maiores da Fortune
Nossa experiência sugere
que os seguintes temas sejam considerados:
Contato permanente com
clientes
Estrutura com poucos níveis
Executivos inovadores e
empreendedores
Na IBM uma das empresas
pesquisadas, a importância dos Princípios pode ser constatada nas palavras de
Thomas Watson Jr., filho do fundador e atual presidente do Conselho da empresa,
citadas no livro "A empresa e seus credos".
"Acredito firmemente que qualquer organização, para
sobreviver e alcançar sucesso, deve ter um sólido conjunto de Princípios sobre
o qual fundamente todos os seus planos e ações. Acredito que o mais importante
fator isolado de sucesso empresarial é a observância fiel desses
Princípios." "Atribuo nosso sucesso principalmente à força dos Princípios
da IBM." Thomas J. Watson Jr. – IBM
Um dos bestsellers mundiais
na área de administração, traduzido para 13 idiomas, o livro "Teoria
Z", de William Ouchi, dedica dois capítulos ao tema Princípios, onde
afirma que:
"A base de qualquer
empresa X é a filosofia. Na medida em que as decisões forem tomadas com base em
um conjunto de princípios coerentes e integrados, elas tem maior probabilidade
de êxito a longo prazo. Uma filosofia pode ajudar uma organização a manter seu
sentido de singularidade ao declarar o que é e o que não é importante.
Também oferece eficiência
em planejamento e coordenação entre pessoas que compartilham uma mesma cultura.
É preciso que a filosofia esteja ao alcance de todos os empregados, sob a forma
de um pequeno manual, como foi feito pela HP, Rockwell, Boeing, Eli Lilly e
Intel." William Ouchi - Teoria Z
Vamos citar um trecho do
livro "Virando a própria mesa", de Ricardo Semler, que além de
empresário de sucesso, tem sido requisitado para pronunciar palestras até pelo
Conselho de Administração da GM Americana.
"Credos não deixam de
ser os ideais de uma empresa, e por isso muitas vezes incluem frases e
conceitos que nem sempre são possíveis de serem praticados com religiosidade.
Isso invalida o credo e faz com que ele já nasça prostituído? Não, ainda é
muito melhor ter uma lista de dez mandamentos da empresa para seguir do que não
sinalizar para toda organização o que são seus ideais."
Já que vimos a importância
do assunto, você deve estar se perguntando como explicitar os Princípios da sua
empresa.
Temas para Princípios
Clientes
Recursos Humanos
Ética
Imagem
Qualidade
Participação
Comunitária
Parceria
Tecnologia
Ecologia
Sigilo
Comunicação
Transparência
Etc.
É importante afirmar que,
em geral, as empresas tem Princípios, mas nem sempre explicitados, o que reduz
em muito sua força como elemento para tornar homogêneo o comportamento e o
processo decisório. Lembramos que os Princípios atuam como referências para a
atuação dos funcionários no dia-a-dia da empresa.
Após a identificação da
missão, princípios e visão, fica muito mais fácil de mapearmos as competências
(core competence) organizacionais as quais podemos classificar em: competências
técnicas; competências comportamentais.
Competências Técnicas:
Escolaridade;
Experiência;
Idiomas;
Cursos Técnicos.
Competências
Comportamentais:
Conhecimento;
Comunicação;
Redação e Gramática;
Negociação;
Relacionamento Interpessoal;
Trabalhar em equipe;
Entre outras.
Após a identificação das
competências baseadas nos princípios, missão e visão, será necessário:
definição, graduação e pontuação de cada grau, o que completa o mapa das
competências organizacional.
De posse do mapa de
competências inicia-se o processo que chamamos de Avaliação dos Cargos onde
iremos identificar as competências requeridas pelo universo de cargos na
organização que dará origem ao peso de cada cargo em pontos.
A gestão de pessoas por
competência possibilita a integração dos diversos processos de RH, como segue:
Sistema de Gestão de Pessoas por Competências
Avaliação de Resultados;
Encarreiramento;
Remuneração Estratégica;
Treinamento e
Desenvolvimento;
Sucessão de Carreiras;
Recrutamento e Seleção por
Competências.
Através do mapeamento das
competências, podemos implementar o Sistema de Gestão por Competências;
Gerenciamento de Carreiras; Sistema de Remuneração por Competências;
Treinamento e Desenvolvimento; Sistema de Recrutamento e Seleção por
Competências; Sucessão de Careiras; e Avaliação de Resultados por Competências.
Vamos falar um pouco mais a
respeito do Sistema de Recrutamento e Seleção por Competências.
Identificar os candidatos
que mais se aproximam do perfil da vaga é o que chamamos de Recrutamento e,
após a conclusão dessa etapa, podemos passar para a etapa seguinte que é a
Seleção do candidato que se alinha ao perfil da vaga.
Hoje se tornou até comum
ouvir nos principais noticiários "falta mão de obra qualificada no
mercado". Será que falta mesmo? Alguns especialistas
"entendidos" afirmam que sim, eu, porém, prefiro me arriscar e
explicar determinados motivos que são responsáveis pelo "desaparecimento"
de determinados profissionais.
Não está existindo uma
padronização de competências organizacionais, pelo menos, dentro de um mesmo
ramo de atividade. Cada empresa passa a mapear suas competências e adotando
como modelo interno a ser seguido, implacavelmente, para atendimento da gestão
da qualidade, tendo ou não a gestão da qualidade.
Se não houver critérios
mais justos na identificação das competências, a busca por candidatos que se
enquadrem ao perfil do cargo vai ficar cada vez mais complicado, pois, a cada
dia, mais e mais empresas vão adotar o Sistema de Gestão por Competências.
De nada adianta adotar o
SGC sem o suporte necessário de preparação, tanto dos empregados como dos novos
empregados, nas competências não identificadas. É isso mesmo!
Se o candidato a empregado
apresenta uma competência muito acima do requisito do cargo, logo se fala
"você não atende o perfil do cargo". Se o candidato não apresenta a
competência requerida, ele ouve a mesma frase "você não atende o perfil do
cargo". Se o candidato apresenta a competência requerida em um grau mais
baixo do requisitado, ele também ouve a mesma frase "você não atende o
perfil do cargo". Isso é uma loucura! O candidato não é obrigado a
adivinhar qual é o perfil do cargo que aquela empresa procura. Vamos partir do
princípio que ainda não existe um manual indicando quais são os requisitos de
cada cargo em cada empresa.
As organizações que
adotarem o SGC, ou até mesmo o Sistema de Cargos e Salários por Competências,
precisam se adaptar para preparar os novos empregados dentro de suas
competências. Mesmo assim, num curto espaço de tempo iremos ter candidatos a
empregado com competências desnecessárias para determinadas empresas, o que o
colocaria em apuros no momento da seleção.
Nos dias atuais, é até
preciosismo das pessoas dentro das organizações em pensarem que vai encontrar
no mercado de trabalho candidatos alinhados ao perfil de suas vagas, isso é, se
a empresa já tiver adotado o SGC e/ou Gestão de Cargos e Salários por
Competências. Se não houver conscientização quando a esse problema, a seleção
de candidatos será cada vez mais complicada.
Percebam quantas coisas
hoje emperram o processo de seleção, uma está ligada diretamente as
Competências e outra é o tempo imposto para o preenchimento da vaga, sem contar
outros aspectos internos que contribuem para que as coisas não aconteçam.
Os profissionais de
Recursos Humanos precisam despertar para a problemática que se instalou em
diversas organizações e encontrar uma solução para que os candidatos saibam o
que existe por trás "você não atende o perfil da vaga".
Face às exigências do TC
176 da ISO, as organizações procuram a melhoria contínua implementando o
Sistema de Gestão por Competências e/ou Sistema de Cargos e Salários por
Competência, não se preocupando, ou, não conhecendo os problemas que terão que
enfrentar nas contratações futuras.
Outro dia, ministrando um
curso de Gestão de Cargos, Salários e Remuneração, ouvi de uma das
participantes do curso o seguinte comentário:
"Eu trabalho em uma empresa de call Center no
Recrutamento e Seleção, quando não consigo encontrar um candidato alinhado ao
perfil da vaga dentro do prazo estabelecido, contrato o candidato mais próximo
do perfil e o envio ao treinamento e desenvolvimento. Mesmo que o novo
empregado não consiga desenvolver as competências requeridas pela vaga, ele é
enviado ao setor de trabalho mesmo sabendo-se que será dispensado no final do
período de experiência mesmo sem achar um substituto".
Percebam que a organização
não está se preocupando com os custos que envolvem um processo de Recrutamento,
Seleção, Contratação, Treinamento e Dispensa e o retrabalho.
Quando citei acima que é
até preciosismo de determinados profissionais, não quis de forma alguma
atribuir a problemática a esses valorosos profissionais do sistema de
Remuneração ou da Gestão da Qualidade. Todos nós sabemosque o maior
culpado são os responsáveis pelas organizações em não procurar entender o fator
gerador.
De acordo com 4.2.5 da
Norma ISO 10015, deve-se definir os "gap's, as lacunas de competência.
Para definir as lacunas, convém comparar as competências existentes com as
requeridas. É, só que o tempo é curto e não dá para ficar fazendo comparações
entre o ideal X real, é muito mais fácil perder dias e dias a procura do
candidato perfeito. Será?!!!
Está mais do que provado
que as pessoas têm gap's de competências e, os auditores da qualidade não estão
fora dessa estatística. Diante desse cenário podemos até mesmo afirmar que os
fatores de competências ficam difíceis de serem totalmente atendidos.
Restringir a quantidade de competências para que os auditores não dêem uma não
conformidade poderia gerar desvaloração no momento da Avaliação dos Cargos, não
sendo possível a Gestão de Cargos e Salários pelo sistema de pontos.
Temos ainda muito a estudar
nesse campo para que possamos chegar num denominador que agrade a todos sem
colocar em risco a Gestão da Qualidade, a Gestão de Cargos e Salários e o
Recrutamento e Seleção e o maior afetado o Sr. Candidato.
Penso que vou viver para
ver isso!.
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